29 de mar de 2010

Fim do caso Isabella?

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Acompanhei o julgamento do casal Nardoni – pai e madrasta da menina Isabella acusados de seu assassinato – durante a semana passada inteirinha. Sábado, pela manhã, minha primeira curiosidade foi acessar o site G1 para conferir o resultado do julgamento, que saiu durante a madrugada.

Óbvio que o resultado não foi surpresa. Os dois foram condenados. Alexandre recebeu pena maior por ser pai da menina. Os dois ainda cumprirão pena por fraude processual – por terem apagado (uma tentativa frustrada, eu diria) as provas do crime.

Depois da explanação do promotor Francisco Cembranelli, que foi espetacular ao expor a cronologia do crime, mostrando aos jurados que não havia possibilidade de o casal não estar no apartamento no momento em que a menina foi jogada (ou, na linguagem deles, defenestrada), para mim não sobraram mais dúvidas sobre a autoria do crime.

Logo após a queda, um vizinho acionou o resgate e, enquanto isso, Anna Jatobá ligava para seus pais - o que coloca a tese da defesa no chinelo. Eles alegavam que Isabella foi jogada enquanto Alexandre buscava a esposa e os outros filhos na garagem do prédio.

Não houve confissão, nem testemunha ocular. Ponto para o trabalho espetacular da perícia. Até agora, o que não entendo é: como o advogado do casal dorme à noite? E outra: por que não confessaram? Vai ver tiveram consciência do quão grave foi a barbaridade que fizeram e tiveram vergonha da atitude cruel que tiveram com a menina Isabella.

No fim, esse casal estaria com a vida estragada de qualquer jeito. Se fossem absolvidos, seriam linxados pela população que clamava pela condenação – a propósito, não concordo com as manifestações na frente do fórum.

Analisando o casal sob a ótica exposta por Ana Beatriz Barbosa Silva, em seu livro “Mentes Perigosas – o psicopata mora ao lado”, dá para perceber que o comportamento frio do casal só leva a crer que eles encaixam-se no perfil apresentado pela autora e poderiam entrar como exemplo na próxima edição da obra. Fingir choro porque não consegue demonstrar sentimento pela criatura que ele também gerou é demais.

O problema é a justiça no Brasil... já que eles não devem cumprir toda a pena em regime fechado. Depois de 2/5 presos, podem pedir regime semi-aberto e aberto (= liberdade, vamos combinar). Porém, pode ser que isso não aconteça já que Suzane Von Richthofen teve esse pedido negado. Foi considerada ameaça à sociedade. Pudera... matou os pais e foi para o motel (manchete da Época).

Os próximos capítulos do julgamento dos Nardoni? Saber se a justiça aceitará o pedido da defesa... que pode querer outro júri, diminuir a pena ou, o pior, anular o julgamento.

25 de mar de 2010

O Twitter e a exposição da vida na internet

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As mídias sociais são um sucesso. Sua explosão começou com o Orkut, site de relacionamento no qual você tem um perfil e vira amigo só de quem quiser. Também escolher se vai compartilhar só com esse ou com toda a rede de usuários suas fotos, seus vídeos, recados e depoimentos.

Hoje, além do Orkut – que nos últimos tempos perdeu um pouco de sua audiência para outros sites – há o famoso Facebook e o Twitter, o queridinho da vez, que virou até fonte para notícias e é usado por anônimos e celebridades do mundo inteiro.

A proposta do Twitter é simples: escrever 140 caracteres. Compartilhar fotos, conversar, divulgar links. Etc. Tudo que você quiser, com limite de palavras.

As empresas têm explorado bem o Twitter: promoções, interação com o público-alvo, divulgação de novidades. Um canal muito bom para se aproximar do público “antenado” que está por trás das pouco menos de 140 letrinhas (espaços também contam, lembram-se?). Tem perfis que divulgam vagas de emprego, eventos, oportunidades, notícias. É uma maneira de filtrar as informações.

O G1 posta um link para uma notícia. Se a manchete te agradar, você clica e confere. Se não, simplesmente ignora.

Ainda não fiz um Twitter. Pode ser que eu venha a fazer, pode ser que não. Avalio a rede porque cuido de alguns perfis aqui na agência e pude conhecer mais a fundo a ferramenta. Ela pode ser viciante.

O que me chamou atenção hoje foi um link postado (no Twitter, sim!) a respeito da exposição que a ferramenta pode proporcionar, caso você não tome cuidado com o que digita no pequeno espaço e manda para o mundo. Uma mulher teve a casa assaltada. Escreveu em seu microblog que estava em Fortaleza e deixou a casa vazia. Bingo! Foi assaltada.

Aí, chega a sábia hora em que se deve pensar: qual a verdadeira finalidade do Twitter? Percebo pessoas escrevendo asneiras o dia inteiro. Ou citando fatos que não interessam a ninguém. Se fizéssemos um filtro, qual a porcentagem de conteúdo realmente relevante? Ok, existem momentos em que a seriedade e a formalidade podem ser deixadas de lado, porém, vale refletir sobre isso.

Como é o caso da mulher que citei. Quem está interessado em saber que ela foi pra Fortaleza e deixou a casa vazia? E qual o porquê de colocar isso na rede?

Todos se mobilizam para completar frases com tag do momento, como #soniaabraofacts ou #foraliabbb. Tudo bem, eu digo sim à liberdade de expressão!
Pena que essa força de mobilização não acontece para coisas mais importantes.

24 de mar de 2010

O caso Isabella Nardoni

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Desde que a menina Isabella Nardoni foi jogada (ou jogou-se?) da janela do 6º andar do edifício London, onde seu pai e madrasta moravam, eu passei a acompanhar todos os passos da investigação.

Tanto que o assunto foi o tema que escolhi para a minha monografia (que depois transformei em artigo e está aqui). Fiz uma análise das capas de Época e Veja, à luz da teoria semiótica, a fim de descobrir que mensagens os elementos utilizados nas capas transmitiam ao leitor.

Nesta semana, o caso voltou a ocupar os noticiários nacionais. Começou o julgamento do casal. Pai e madrasta são acusados de matar a menina.

Muitas crianças morrem todos os dias e não recebem a mesma atenção que Isabella está recebendo. Anônimos protestam e visitam seu túmulo, fazem vídeos no Youtube e comunidades no Orkut em homenagem à chamada “estrelinha”.

A pergunta que não quer calar é: Alexandre e Anna Carolina Jatobá são mesmo culpados?

Ontem tivemos uma discussão aqui onde trabalho a respeito do caso. E olhei por um outro lado. Sim, eu acredito que foram os dois, pelos laudos, pela história de vida, pela falta de emoção dos dois. Mas isso não prova nada.

Defesa afirma que provas conclusivas não existem. Fico pensando, por que esse casal não confessa de uma vez? Mas, fico pensando também, se não foram eles... o júri já está envenenado. Afinal, o caso foi muito noticiado pela mídia e, querendo ou não, a mídia acabou condenando os dois antes da hora. A influência dos meios é nítida, afinal, todos souberam dos laudos pela televisão, jornais e revistas. Qual o papel do jornalismo?
Noticiar os fatos, não sugerir conclusões.

A capa de Veja da época do crime mostra bem isso:



Onde está a verdade? Nem no final do julgamento vamos saber. Até que se prove verdadeiramente que o casal é culpado ou que existiu uma terceira pessoa, ninguém, nunca saberá. O casal pode pagar pelo crime que cometeu – e não admite – ou, talvez, será preso no lugar de outro.

Saliento aqui, não sou a dona da verdade. Acredito na culpa deles. Se for provado o contrário, morderei minha língua e vou ficar muito espantada.
Mas, quem vai julgar isso é a justiça.

Talvez o jornalismo precise pulverizar melhor as atenções aos fatos.