29 de jul de 2010

Trabalho e dedicação = sucesso

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Tenho lido e tomado conhecimento de muitos cases de sucesso, seja em nível regional, em nível nacional ou internacional. A conclusão óbvia? Nada nesse mundo é fácil. O sucesso brota depois que for regado a muito trabalho e dedicação. Isso não sou eu quem está dizendo, é fato. Compartilho aqui a minha verdade – ou a minha convicção, pois eu não sei de tudo - e nunca vou saber. Então, a minha observação mostra que para as coisas serem bem feitas e surtirem resultados, precisam de um bom planejamento e de muita dedicação.

Muitas vezes a gente se pega pensando: “puxa, quero ser rico como o Bill Gates” ou então “ainda vou ter minha própria empresa” ou mesmo “ainda vou fazer algo novo, que ninguém fez”. Ótimo pensar assim. O que você está fazendo para alcançar esses objetivos? Ter sonhos e desejos é fácil. Basta imaginar e pronto: eles brotam na sua cabeça, fazem parte de seus sonhos e fazem alguns flashes na sua mente sobre como o futuro pode ser maravilhoso e promissor. Conquistá-los é outra história.

Afinal, quem não quer ser dono do próprio nariz? Ou ter aquele emprego tão sonhado? O médico quer ter seu consultório com filas de pacientes, o jornalista quer trabalhar na emissora conceituada, o publicitário quer fazer parte do time da grande agência, o professor sonha com um salário digno e alunos interessados. São apenas alguns exemplos, mas creio que a maioria das pessoas sonha com um futuro profissional brilhante. E brilhante não significa obrigatoriamente ser famoso ou conhecido no mundo inteiro. Brilhante pode significar conquistar aquilo que você sonhou para si. Mas aí vem novamente a pergunta: o que você está fazendo para isso?

Como venho observado, conquistar os sonhos não é fácil. Principalmente depois que você saiu da faculdade e encara o mundo real. Ou até um pouco antes disso, se tiver oportunidade de entrar em contato com o mercado de trabalho. Muitas coisas não seguem a teoria – até porque, no nosso dia-a-dia, nós lidamos com pessoas e pessoas não são norteadas por manuais de instruções e sim por seus valores. Quantas dessas pessoas podem passar pelo seu caminho, te ajudar e te atrapalhar na realização daquilo que você tanto almeja?

Novamente: conquistar sonhos não é nada fácil. O pai de Bill Gates, poderoso da Microsoft, contou, em recente entrevista à revista Galileu, que seu filho não parava de ler nem na hora das refeições. “Ele sempre frequentou boas escolas, mas nunca escolas especiais. Não diria que criamos nossos filhos de nenhuma maneira peculiar. Na verdade, nós parecíamos muito com os vizinhos”, explicou Bill Gates Sr. O menino prodígio largou Harvard para se dedicar a um negócio chamado software. Hoje... bem, hoje vocês sabem onde ele está né? Outro exemplo é Vanessa Vilela Araújo, farmacêutica apaixonada por cosméticos. Ela estudou bastante fazendo cursos na área de cosméticos e de gestão. Hoje a empreendedora é dona da Kapeh, empresa que fabrica cosméticos à base de café. A empresa nasceu em 2007 e hoje exporta para Portugal e Holanda, além de fornecer os produtos para dezesseis estados brasileiros. Ela foi citada em matéria recente da Veja, sobre os novos milionários.

Poderia citar inúmeros cases aqui. Na nossa região mesmo, há tantos jovens empreendendo, arriscando e acreditando. Sucesso? Talvez lá na frente. Agora é hora de trabalhar, regar tudo com dedicação, para colher no futuro. Sensação de dever cumprido?

Acho que não. Recentemente, entrevistei um empresário bem-sucedido de Tubarão. Já é um senhor, com um estabelecimento bem renomado, um bom capital. Quando perguntei a ele o que podemos esperar do futuro de seu negócio, ele me respondeu:

“Ainda temos muito que trabalhar”.

27 de jul de 2010

Sobre a timidez e a coragem

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Já viu uma pessoa ficar vermelha? É engraçado. Não esculachando. Mas às vezes a pessoa não está falando nada de mais, e fica vermelha. Isso acontece comigo ocasionalmente. Apesar de ser muito falante, por muitas vezes, sinto meu rosto ficar vermelho em situações que nem eram para me deixar tão sem graça. Em algumas cenas, nem tinha porque ter vergonha. Sei lá, começo a falar, sinto o sangue subir e parece que, quanto mais me dou conta disso, mais vermelha eu fico. É constrangedor às vezes. Todo mundo percebe que você está vermelha, o que pode fazer seu interlocutor pensar: “ela está mentindo” ou “ela está nervosa” ou então, “ela é insegura”. E é assim que uma simples reação do seu corpo mostra um pouco de você. É. O corpo fala.

Por vezes, parece que nosso organismo interpreta nossas ações como coisas erradas. Quem me conhece bem sabe que eu sou muito falante. Posso falar pelos cotovelos, às vezes viajo na maionese e falo coisas nada a ver, às vezes me irrito e falo o que não deveria ter saído do pensamento. Entretanto, até eu me soltar e revelar meu lado falante e conjugar o maior número de verbos, combinados com o maior número de palavras e fazer jus à fama de falante de mulher, às vezes me sinto meio tímida. Tímida em certas situações, corajosas em outras. Como todo ser humano.

Falando em timidez e de coragem...Alguns tipos de tímidos acanhados podem ser os mais convencidos do mundo. Sim, já que há aqueles que acham que todo mundo vai olhar pra eles. Assim, o tímido conclui que aquela roupa vai chamar atenção de todos que o veem na rua e, então, para manter-se na velha discrição, decide pelo modelo neutro. Ela acha que o batom é escuro demais, que a meia é escandalosa e a blusa muito decotada. E continua no básico. Há tímidos pra coisas sutis como essas que citei. Há tímidos sociais, coitadinhos, é de partir o coração ver certos sintomas aflorar-se num super tímido: mão molhada e fria, expressão estranha, o desconforto que eles afloram.

A linha tênue entre a timidez e a extroversão é a mesma que divide a menina que paquera o menino na balada, daquela que se esconde atrás da franja e fica esperando alguém chegar. É a mesma linha que divide o que fala declaradamente na apresentação do trabalho da faculdade e o que se retrai com poucos gestos. E é a linha semelhante entre aquela que usa o batom vermelho (e sabe que isso a valoriza) e a outra que prefere a cor de boca.

Mas afinal, a timidez pode ser um molde de personalidades. Alguém pode ter vergonha de subir no palco e cantar – algo que para outro indivíduo pode ser a coisa mais fácil do mundo. E talvez os papeis dessas mesmas pessoas se invertam na hora de falar sobre si mesmos. Quem vai discordar que a timidez pode ser momentânea e algo que difere nós uns dos outros? Da mesma maneira que a coragem para certas coisas nos faz seres únicos. A coragem pra matar constrói o bandido – já que a raiva é inerente a todos. A coragem de dirigir bêbado molda uma inconsequência. A coragem de desviar dinheiro molda o corrupto. Porém, a coragem de inovar revela empreendedores. A mesma coragem que faz o sábio insistir no silêncio e o prepotente insistir em algo que pode ser ignorância.

É, no fim das contas, entre tantas diferenças, podem existir apenas dois detalhes que nos fazem únicos: timidez e coragem.

26 de jul de 2010

Ainda existem amores eternos?

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Casos de traição são mais comuns do que a gente imagina. Luiz Carlos Prates já disse que nós não somos monogâmicos. E talvez, essa tendência do ser humano em não ser monogâmico exista desde o início da espécie. A diferença é que hoje parece que está tudo mais escancarado e também ficou mais fácil descobrir as puladas de cerca. Você pode contratar um detetive, fuçar fotos na internet, tentar descobrir senhas de e-mails, seguir a pessoa. Há quem diga também que quem procura acha.

Hoje o Brasil inteiro ficou sabendo do fim do casamento de quase duas décadas de Claudia Raia e Edson Celulari. Sempre de bem com a vida, longe de escândalos, mas não imunes ao fim. Não sei qual o motivo, se foi traição ou simplesmente rotina. O que sei é que fica cada dia mais complicado descobrir a fórmula do amor eterno – se é que ela existe.

Homens traem pela necessidade de se sentirem viris, mulheres porque se sentem carentes. São tantas razões pra explicar puladas de cerca. Talvez a mais famosa do momento seja a pulada de cerca de Cícero e Juliana, casados, respectivamente, com Vivian e Fábio. Casais amigos de longa data, compadres e, às escondidas, uma traição que durava cinco anos e foi descoberta pela mulher traída. O caso é de conhecimento de todos, bombou na web nas últimas semanas e ficou conhecido como o Barraco de Sorocaba.

Fica difícil compreender como casos de traição desse tipo podem durar tanto tempo. Quer dizer, se os dois se amam e não queriam mais seus companheiros, porque não desistiram de seus casamentos e foram viver sua história? Claro, é complicado desmanchar vidas, magoar pessoas. Mas creio que a sinceridade é melhor do que ser descoberto como aconteceu com eles. Pegos com as calças nas mãos. Pode ser que o medo de se arrependerem lá na frente tenha falado mais alto. Ou que era melhor ir levando porque estava bom assim.

O problema é que outras pessoas tinham muito a ver com isso e estavam sendo enganadas. Faltou pensar um pouquinho nos outros envolvidos.

Porém, não só devido a casos de traição – do qual ninguém está imune – mas a diversos outros motivos, o amor, o casamento, o namoro duradouro, parecem instituições falidas. Sei lá. O que vejo hoje em dia é que o amor está banalizado. Outro dia, eu e as meninas da pós conversávamos justamente sobre isso. “Eu te amo” é dito com uma naturalidade como se diz “oi”. Sentimentos são exibidos para o mundo inteiro ver, declarações incansáveis de amor são mostradas sem pudor. Óbvio que eu não estou criticando fotos no Orkut, até porque isso seria contraditório, já que tenho um perfil e fotos com meu namorado. Mas eu falo daquela exposição escancarada, que todo mundo conhece muito bem e que só diz respeito aos dois. Aí, quando a relação acaba, o Orkut vira uma revista Caras, onde todos veem que a promessa de amor eterno não durou. Será que isso é mesmo necessário?

Em minha curta experiência de vida, já soube de histórias que me deixaram de cabelo em pé, já ouvi as duas partes, entendi motivos de traídos, de traidores, ouvi casos que não acreditei. E concluí que amor perfeito e contos de fadas, sonhados na adolescência, não existem. Existem, sim, casais companheiros, que têm objetivos em comum, que sabem o que querem e que valorizam o respeito e a conquista mútua. Tudo isso lapidado dia após dia – e sem imunidade contra possíveis fracassos.

Educação? Se você tem, está rico

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Hoje quero falar sobre educação. Não sobre escolas, matemática, tarefas, provas ou livros didáticos. Não sobre conhecimento ou carga intelectual, tampouco sobre as notas de boletim ou o desempenho no vestibular. Não. Os resultados positivos da maratona escolar vêm de dedicação e vontade – não caem do céu.

A educação da qual quero falar é aquela que também pode ser bom senso ou noção de realidade. É a educação que quatro adolescentes não tiveram semana passada. É a falta de reflexão que faltou a eles ao cometerem atos de vandalismo na última quarta-feira à noite (21 de julho). Por volta das 22 horas, numa ação rápida, eles jogaram tijolos contra os vidros da Escola Professora Maria Emília Rocha, em Tubarão, quebrando cerca de 30 janelas.

A festinha deles só acabou quando uma vizinha acionou a polícia. Porém, protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, por serem menores de idade (menores até que ponto?) nada de grave deve acontecer a esses quatro vândalos.

Eu me pergunto o que leva as pessoas, sejam elas menores de idade ou não, a ultrapassarem radicalmente os limites do bom senso e a deixarem de lado qualquer resquício de educação, agindo como verdadeiros monstros, animais, marginais. Várias vezes, perto de onde resido, já presenciei cenas desse tipo, que me levam a pensar o que certas pessoas têm na cabeça. As cenas lamentáveis que vejo e que me indignam são de desocupados, que saem às ruas bebendo, gritando e perturbando o sossego alheio nas horas mais inoportunas. Essa noite, por exemplo, parou um carro próximo de minha casa e, com certeza, embalados por álcool, ligaram o som no máximo volume – e gostaria de salientar que máximo, é máximo mesmo – por alguns segundos, com a sede de incomodar, com a certeza da impunidade.

Vejo e fico sabendo de muitas atitudes lamentáveis. Talvez um policiamento maior nas ruas ajudasse. Ou circuito de câmeras de segurança. São apenas suposições. Mas o remédio que com certeza ajudaria a reverter de maneira estrondosa esse quadro seria boas doses de educação.

Educação vem do berço, vem dos pais, vem da família. É em casa que valores como respeito, bom senso e cordialidade devem ser ensinados. É somente em casa que os adolescentes vândalos de Tubarão poderiam aprender que vidro custa dinheiro e que alguém terá que pagar o preço da reforma.

Não adianta deixar para a escola o papel que é da família. É de pequeno que se torce o pepino.

PS: A partir de hoje, vocês podem conferir textos meus no Portal Contato. Vou manter uma coluna por lá e vocês podem acessá-la clicando aqui.

22 de jul de 2010

A banalização do sexo

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Quem pode apontar ferramenta tão poderosa, rápida e cheia de conhecimento e oportunidades como a internet? Sem dúvida, ela revolucionou a comunicação, a cobertura jornalística, o modo como as empresas se relacionam com o público-alvo, diminuiu fronteiras e aproximou pessoas. Na chamada Web 2.0 a palavra-chave é interatividade. Orkut, Twitter, Fotologs, Facebook, Chats, YouTube, Blogger são algumas das plataformas que permitiram que todos pudessem se comunicar e compartilhar vídeos, fotos, pensamentos, opiniões. Entretanto, acredito que tudo tem um limite e a internet não é o lugar mais apropriado para certas coisas.

Hoje deparei-me com um fato que me espantou no blog da Maíra Rabassa. Três jovens de Criciúma passaram a última madrugada expondo-se na internet através de uma webcam. Não assisti ao vídeo, mas de acordo com o site da Rádio Criciúma, dois rapazes e uma menina se exibiram com beijos provocantes, simulação de sexo oral e danças sexuais. Para a noite dessa quinta-feira, a promessa era de mais cenas picantes. Mais de 900 pessoas assistiam à sessão dos três às 3h20min.

Não bastasse isso, eles não tiveram nenhum pudor em revelar o endereço onde se encontravam e seus números de telefones – o que gerou interação.

Os jovens não chegaram aos “finalmentes”, mas isso é exposição demais. Sexo, carícias e performances sensuais são atos para quatro paredes e não para serem expostos sem mais nem menos na internet, onde pode haver uma visibilidade para milhões de desconhecidos. Desconhecidos dos quais não se conhecem valores, opiniões, temperamento e intenções. Como será que esses jovens ficarão conhecidos na região? Que tipo de reação tem um pai ao se dar conta de um fato lamentável como esse?

Intimidade é intimidade. Sexo é pessoal, é de cada um. Ninguém deveria expor sua imagem desse jeito, deixando-se à deriva para que desconhecidos pensem e falem bobagens. O que se ganha com atitudes como essa? Que tipo de mentalidade essas pessoas têm? O que pensam da vida, o que fazem da vida e quais são suas preocupações?

O corpo é algo precioso, particular. O que fazemos com ele só diz respeito a quem está conosco. Mostrar-se em cenas eróticas na rede não acrescenta nada na vida de ninguém.

É melhor deixar isso para os atores e atrizes pornô.

21 de jul de 2010

O psicopata pode, sim, morar ao seu lado

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Pensamento interno: outra vez, desculpem o atraso em passar por aqui. Sinto que é praticamente um descaso cibernético, assim como uma obra na minha rua que está abandonada. Eu sou uma blogueira abandonante, mas acho que é porque não confio muito no meu taco de escritora, daí acabo evitando, adiando vir até aqui.

Bom, eu vim aqui falar de algo que todos já estão cansados de ouvir. Sim, o caso Bruno. Preciso expor minha opinião a respeito. Mas sob outra ótica.

Outro dia, na aula da pós-graduação, um colega fez uma reflexão interessante: muito se fala sobre o caso, especula-se sobre as versões dadas nos depoimentos, procuram-se testemunhas, mas ninguém se pergunta o real motivo desses crimes.

OBS: se é que existe um crime aqui. Eu acho que pode ter havido um crime sim, mas como não há provas conclusivas, é errado julgar os caras. Mas, considerando as circunstâncias, tudo aponta que Elisa Samúdio foi mesmo assassinada de forma brutal, por motivos banais. Hoje escutei uma moça na farmácia, falando que Elisa apenas apanhou e sumiu – tudo para ferrar com Bruno. Enfim, até que se prove alguma coisa, sem deixar dúvidas, muitas versões vão rolar por aí. Não esqueçam que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá não confessaram o assassinato de Isabela e seus motivos continuam obscuros.

Pois bem, voltando à reflexão que vinha sido feita antes dessa observação, penso que há uma resposta que pode explicar esse tipo de comportamento. Psicopatia.

Você pensou que só existia nos filmes? Pensou errado.

Especialistas já opinaram. A frieza com que Bruno reagiu aos acontecimentos e o modo como lidou com a situação embaraçosa podem ser reflexos de uma mente psicopata. Para entender melhor do que eu falo, sugiro a leitura do livro “Mentes Perigosas – o psicopata mora ao lado”, de Ana Beatriz Barbosa Silva. É uma leitura rápida - o texto de Ana te prende do começo ao fim.

A autora desmitifica a visão mascarada que temos das pessoas do mal. Elas não têm caras feias, nem são truculentas, tampouco possuem aparência descuidada ou pinta de assassinas. O psicopata age de maneiras diferentes para conseguir o que quer. E para ele, matar uma pessoa para livrar-se de um problema não é nenhum fardo. São desprovidos de sentimento inerentes à natureza humana.

Lembro que o especialista que falou que Bruno pode ser um doente social, um psicopata, citou uma cena muito exibida durante a repercussão do caso Nardoni: o pai de Isabela, Alexandre, falando ao policial sobre a queda da filha, como se fosse um objeto que caiu acidentalmente da janela do 6º andar. Assim, sem lágrimas, sem desespero, sem pesar. Lembram de ter visto os dois chorando alguma vez? Eu só lembro-me das lágrimas de crocodilo na entrevista deles ao Fantástico, da mesma maneira que me lembro da cara dissimulada de Suzane Von Richthofen, fingindo ser desnaturada, em matéria exibida pelo mesmo programa. Ora, querem mais frieza do que matar os pais e ir transar? Caso alguém tenha esquecido desse detalhe, Suzane foi para um motel após o assassinato que ela mesma planejou. Por motivos fúteis. E pra que mais frieza do que a do goleiro Bruno, que bebeu cerveja após a execução da ex-amante. Novamente, afirmo isso levando em conta que ele é o culpado. Se ele não for, esqueçam essa parte, mas lembrem-se de tantos outros casos envolvendo mentes frias e sem escrúpulos. Mais um exemplo? O assassinato de Daniela Perez.

Lendo o livro de Ana, eu percebi que pessoas como Alexandre, Suzane ou Guilherme (o assassino de Daniela Perez) podem estar mais perto do que imaginamos. Nem todos chegam ao ponto de matar alguém, porém, a maneira com que encaram a vida pode trazer muito sofrimento. Eu diria que elas podem ser consideradas sanguessugas: usam você até não poder mais, porém, você nunca será bom o suficiente para eles. Um deslize é motivo para chacota e humilhação, e, quando perceber, você estará destruído emocionalmente. E o pior, vai acreditar que você é o errado da história. E mais, elas permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertas ou diagnosticadas. De acordo com Ana:

“Visam apenas o benefício próprio, almejam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes natos da maldade.”

Eu chamaria isso de terrorismo psicológico. Já viu esse filme? Tomara que não. E quando começar a desconfiar de um trailer desse tipo, afaste-se o quanto antes.

7 de jul de 2010

A falta de escrúpulos do jornalismo (?) de celebridades

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Nas últimas semanas, um dos assuntos mais comentados no Twitter, além da Copa do Mundo, Cala Boca Galvão e Dunga Burro, foi a apresentadora Ana Maria Braga. Pelo que sei, até seu corte de cabelo tem mantido a loira na boca virtual do povo. Porém, o caso mais sério aconteceu há pouco mais de 10 dias, quando a apresentadora da Rede Globo utilizou o espaço do seu matinal Mais Você para fazer um desabafo.

A revista Quem afirmou em uma reportagem, que teve destaque de capa, que o pivô da separação conjugal de Ana Maria foi o seu par na Dança dos Famosos. Uma fonte teria dito a "Quem" que os dois "já ficaram, mas nunca assumiriam.

A apresentadora ficou perplexa com a reportagem e afirmou em rede nacional que não foi tratada com respeito pelo veículo. E ainda informou que entrou com uma ação civil de reparação de danos morais contra a revista e uma ação criminal por difamação e injúria contra as jornalistas que assinam a matéria e seus editores responsáveis.

Quando soube disso, lembrei do seriado “A vida alheia”, exibido pela Globo nas quintas-feiras à noite. A vida imita a arte ou a arte imita a vida?

Acompanho a série algumas vezes e em muitas delas me espantei com a falta de escrúpulos dos jornalistas da equipe da revista – voltada ao mundo das celebridades. O clamor por uma capa impactante, a busca incessante por um escândalo, a falta de preocupação com os tantos processos que se acumulam contra a publicação e a inexistência de bom senso. O mais interessante – ou óbvio? – é que, na série, quanto maior o escândalo, maior a probabilidade de a edição esgotar-se nas bancas.

Será que esses profissionais, que invadem a vida das celebridades – fixas ou instantâneas – têm esse direito? Tornar públicas as fraquezas e as intimidades das pessoas é correto? Até onde vai a linha do limite entre o permitido e o abusivo? Ser uma pessoa pública pressupõe que você estará constantemente sobre holofotes e especulações. Porém, a vida dessas pessoas torna-se um livro aberto, onde todos parecem poder meter o bedelho. E tudo tem limite.

Lembro-me de um episódio em que, claramente, a arte imitou a realidade ao mostrar um jogador de futebol envolvido com um travesti. Quem não se lembra do caso do Ronaldo Fenômeno?

E outra: de onde vem essa curiosidade, essa sede pela desgraça alheia ou por simplesmente saber tudo sobre a vida dos outros? Isso não é só com os famosos. Fofocas na escola espalham-se em velocidade absurda, babados do mundo corporativo são repassados rapidamente. Será que esses fatos têm a ver com nossas vidas? Qual o nosso real envolvimento com os acontecimentos na vida das celebridades e dos anônimos?

É bom lembrar que as revistas só existem porque há quem as consuma. Talvez o mercado editorial tenha criado uma demanda, quando colocou esse tipo de publicação no mercado. Porém, o que seria do palhaço sem público para rir? Que tipo de sociedade é essa, que vê prazer em expor o ser humano à, por que não dizer, humilhação? Quem tem a ver com a separação de Ana Maria Braga? Isso só diz respeito a ela, ao marido e à família. E ninguém mais.

Quais os valores que norteiam os jornalistas de publicações como essa? Um escândalo mentiroso pode acabar com a vida de uma pessoa. Não é à toa que se atribui à imprensa o título de quarto poder. E poder pressupõe bom senso e reflexão.

Creio que vale pensar sobre isso.

5 de jul de 2010

Dia sem Globo, Dunga Burro. Revolução cibernética? Longe disso.

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Vamos mexer no ninho de vespas.

Outro dia recebi um email que deve ter circulado entre vários outros emails: participe do Dia sem Globo. Uma manifestação contra a toda poderosa, em favor de Dunga (agora não mais técnico da seleção brasileira).

A revolta começou quando o Fantástico exibiu um editorial criticando a atitude arrogante de Dunga (ele soltou uns palavrões para um jornalista da emissora). A partir daí, começou no Twitter o movimento Cala Boca Tadeu Schmidt. Foi ele quem leu o tal editorial (como se a opinião fosse a dele. Pode até ser que fosse, mas ele representou a emissora naquele momento).

Não contentes, os twitteiros de plantão deram coro, então, ao movimento Dia sem Globo, do qual eu falei no começo do post. Cada um contribuiria com um boicote à emissora assistindo o próximo jogo do Brasil (contra Portugal, se não me engano) em qualquer canal que não fosse a Globo. Uma grande perda de tempo, na minha opinião.

Quer saber? Eu estou cansada dessa gente hipócrita, que fica criticando coisas desse tipo. Melhor “perder” tempo falando dos candidatos, discutindo melhorias pra educação e soluções para a saúde pública. E deixem a Globo e o Dunga. Isso me lembra dos debates na faculdade. As teorias da conspiração contra Globo. Garanto que se fosse oferecido um emprego na emissora ninguém negaria.

E foram esses mesmos do Dia sem Globo e Cala Boca Tadeu Schmidt que colocaram Dunga Burro no topo dos assuntos comentados da rede, após a eliminação do Brasil. Quer saber outra coisa? Acabou o tempo em que o Brasil era favorito absoluto. Em um jogo de futebol, um time vai ganhar, outro perder. É a lógica. Nós não somos seres especiais e supremos para sempre ter a graça da vitória ao nosso lado. Alguém vai perder. E ninguém morre disso. Já disse o Galvão Bueno no fim do jogo da última sexta-feira – e ele está certo: é um jogo de futebol. Sofremos, choramos... mas e aí? Paciência! Brasileiro, no futebol, não sabe perder.

A internet já mostrou um pouco do seu poder de mobilização sim, sem dúvidas. O Ficha Limpa é uma prova. Mas é preciso uma ação bem focada, organizada. E levar em conta que a maioria da população não tem acesso à rede. Por isso, o poder de ferramentas como o Twitter não pode ser superestimado. Ainda não chegou o dia de uma grande revolução via 140 caracteres, já que os que têm acesso ao site – e os que usam frequentemente – não correspondem à parcela maior da população.

Um artigo muito interessante sobre isso pode ser lido aqui.

Outra observação. O Cala Boca Galvão e o Cala Boca Tadeu Schmidt entraram nos TT’s do Twitter. Se você procurar, vai encontrar quem simplesmente escreve só para aumentar a audiência da brincadeira. Muitos nem sabem por que o fazem. Entretanto, não vi SOS Alagoas nos assuntos mais comentados. Despende-se tempo para esse tipo de “revolta cibernética”, enquanto o mundo tem muitos problemas maiores para serem resolvidos – problemas com os quais poucos se preocupam.

Muita coisa inteligente foi dita na rede social, mas muita, muita besteira também pode ser encontrada. Como já disse Saramago, no artigo citado anteriormente:

“Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."