28 de set. de 2010

Eu não sou uma loser

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Desde que “os sutiãs foram jogados na fogueira”, a mulher passou por uma verdadeira revolução. Deixou de ser apenas responsável pelos cuidados com os filhos e a administração da casa e passou a assumir diversos papeis. Passou a concluir estudos, ingressou no mercado de trabalho, virou gestora e adquiriu independência – não precisa mais depender de um homem financeiramente. Além disso, com a invenção da pílula anticoncepcional, passou a ter controle do seu relógio biológico, podendo planejar sua vida com calma e estabelecer objetivos para a mesma.

Ao mesmo tempo em que a mulher conquistou seu lugar ao sol, a ela sobra, muitas vezes, a cobrança pela atualização constante e a culpa por não dar conta disso tudo. Além de administrar uma casa (mesmo que se tenha empregada doméstica, é preciso estar de olho), preocupar-se com os filhos e dar conta do trabalho fora, a mulher precisa estar sempre bonita, com o visual em dia, estudando cada vez mais, almejando cargos maiores.

Acho que todas nós, em alguma fase de nossas vidas, paramos para pensar no que estamos fazendo. Estou correndo atrás de meus objetivos? Quando alcançarei minhas metas? Como será a minha vida no futuro? Onde quero estar daqui a X anos? E o mais importante: o que estou fazendo para isso?

Uma matéria na revista TPM do mês de agosto parecia trazer respostas para os anseios das mulheres. Intitulada Fora de ritmo, a reportagem prometia mostrar porque você não é uma fracassada.

Não fala inglês e já tem 20 anos? Ainda na casa dos pais aos 25? Mais de 30 e ainda não sentiu o reloginho biológico bater? Nunca ouviu falar em home broker aos 35 anos? Vai fazer 40 e nunca foi convidada para dar uma palestra? Em que planeta você vive? Provavelmente, no dos fracassados. Pelo menos, é nisso que querem que você acredite.

Parecia ser a matéria perfeita para fazer qualquer mulher se sentir aliviada. Entretanto, na minha opinião, faz você se sentir mais loser ainda. Os exemplos mostrados são invejáveis. Menininha de 20 falando dois idiomas e colecionando intercâmbios e viagens ao exterior, mulheres de 30 em cargos invejáveis e de 35 recebendo menção honrosa, aos 25 adquirindo apartamento próprio. Wow! Para tudo!

A matéria em si é boa, mas as personagens colocam qualquer mulher mortal no chinelo. Afinal de contas, a gente se esforça, quer ser poliglota, ganhar muito no fim do mês pra comprar tudo que se tem vontade e conhecer Paris, deseja ter seu próprio negócio. Mas o mundo real não é um conto de fadas, onde tudo acontece num passe de mágica. Há quem acredite em um sonho e não tenha investimento para isso. Tem gente que rala financiando faculdade, trabalhando o dia todo, sem sobrar grana ou tempo para estudar inglês ou economizar para uma viagem.

Sommelier-chefe de 20 anos, atriz da Globo, editora da Vogue, dona de agência e cineasta, definitivamente, são exemplos que deixam você se sentindo uma perdedora. E afirmar isso não significa colocar as “mortais” em posição de vítima. Só acho que teriam exemplos muito mais reais, convincentes e estimulantes para mostrar. Não falar inglês ainda, não ter feito um intercâmbio e não possuir seu próprio apartamento dependem de vários fatores. Não tê-los conquistado não significa ser perdedora, afinal, o fato de não estar parada e correndo atrás do que se quer conta muito.

Quer saber? Pese o que te faz feliz. Se falar inglês não é seu objetivo, desencana. Cada um tem seus sonhos e ambições e se isso te faz feliz, é o que importa. Basta correr atrás. A conquista de algo que almejamos pode ser cansativa e longa, mas, recompensadora.

Leia a matéria aqui. Muitas que comentaram também ficaram indignadas.

27 de set. de 2010

A polêmica das máquinas de camisinha

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Uma decisão do Ministério da Saúde vem criando polêmica – ela prevê a instalação de 40 máquinas de preservativos em escolas de todo país, inclusive em Florianópolis, Santa Catarina. Para ter acesso ao preservativo, o aluno precisa estar matriculado no Ensino Médio. É preciso digitar o número de matrícula e uma senha no visor da máquina. Por mês, cada estudante tem direito a 20 unidades.

A atitude vem gerando opiniões contraditórias - há quem concorde, há quem discorde. Não tenho opinião completamente formada. Trata-se de uma iniciativa nunca vista, que mexe com um assunto que ainda é tabu para alguns jovens, ou experiência vivida para outros.

Entretanto, há uma questão peculiar no meio disso tudo, que precisa ser lembrada: boa parte das pessoas não usa camisinha porque não quer, mesmo sabendo de sua importância. Seja pelo argumento de “chupar bala com papel”, seja por acreditar que uma DST não combina com alguém “limpinho”, ou seja, por achar que essas coisas só acontecem com os outros. Afinal, as campanhas do Ministério da Saúde alertam (embora apenas durante o Carnaval), os jornais avisam, algumas escolas trabalham o assunto muito bem e alguns pais comentam sobre o perigo do sexo desprotegido. Entretanto, não se vê erradicação da AIDS e de outras doenças. Além disso, há quem tenha na cabeça como preocupação principal a gravidez indesejada, e, assim, confie apenas na pílula anticoncepcional ou outros métodos que só impedem a fecundação, não a contaminação.

O que é preciso fazer? Tratar as causas, não as consequências. Entretanto, isso é rotina no Brasil. O sistema de cotas beneficia quem teve condições precárias de estudos, facilitando a entrada na faculdade. A vacina contra a Gripe A fez muitos esquecerem os hábitos de higiene. Da mesma maneira que os coquetéis para AIDS trazem conforto caso você adquira a doença. E a escola passa a ter mais uma responsabilidade, além das muitas outras que já lhe foram atribuídas, sem que os principais agentes desse local, os professores, fossem consultados. À escola cabe, sim, o ensino. Não se pode dispensar o conhecimento. E o diálogo. De nada adianta oferecer saídas sem conscientização. A instalação dessas máquinas requer debates – é preciso ouvir toda a comunidade: pais, professores, gestores e alunos. É necessário dialogar. E tomar cuidado com possíveis estereótipos que podem surgir com objetos como esse no pátio escolar, quando a idade dá margem para todo tipo de brincadeira, fofoca e ofensa. O menino que retira camisinhas é garanhão. A menina que faz isso é fácil. A escola terá estrutura para lidar com tudo que essa máquina vai trazer? E quem garante que camisinhas não chegarão até as mãos dos alunos de séries fora do Ensino Médio? E quem vai dizer se a máquina vai banalizar ou incentivar o sexo? Tudo que é proibido causa curiosidade, principalmente na adolescência, a fase das descobertas.

São mais que máquinas. São mudanças que chegarão às escolas. E talvez nem todas – e nem todos – estejam preparados para ela.

Talvez o governo devesse pensar em investir em mais livros, melhores salários e estrutura adequada para as escolas.

21 de set. de 2010

Tristezinhas...

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Tem dias que é preciso chorar. Acho que essa é uma válvula de escape de muitas mulheres. Ou então, simplesmente ficar triste. Sem um motivo que mereça o luto 24 horas, mas por pequenas pedras que se acumulam pelos caminhos da vida e, num momento oportuno – ou não – causam a explosão, a chuva de lágrimas. Eu diria que, sem uma choradeira mensal, muitas mulheres já teriam enlouquecido. Ou, largado a postura politicamente correta, colocando em risco, assim, empregos, relacionamentos e amizades.

É o estar sensível, a virose de tristeza. Ela chega de mansinho, através de um acontecimento aqui, um aborrecimento ali, um cansaço acolá. Por vezes, a tristezinha temporária avisa. É quando você acorda e sente algo estranho, parece adivinhar que algo vai cruzar seu caminho – e não será bom. Até que o fato não se consolide, a agonia continua. E você sente medo dela. É porque ela já te acompanhou outras vezes e você sabe que a danada não traz coisas boas.

Não é nenhuma tragédia grega, não é o fim do mundo, nem a morte de ninguém. Mas é o suficiente para te deixar down, sem vontade de fazer o que faz de costume, sem muita vontade de sorrir. Dá vontade de dizer verdades, de gritar com quem te deixou assim (se foi alguém), de sumir, de mudar de ares, de fugir pra bem longe. Em poucos minutos, muitas coisas passam pela cabeça. E elas chegam. As lágrimas.

Ah, as lágrimas. Elas molham o rosto, fazem você soluçar. Aí você se recorda de um pequeno fato que estourou seu limite de boa moça e dá pequenos gritinhos desesperados de choro. E chora mais e mais. Quem está do seu lado só pode te confortar. Se não houver ninguém, só resta o travesseiro. Músicas lentas também ajudam. O olho incha, o corpo relaxa, pequenos soluços quebram o silêncio. E depois, passa. A vida faz sentido de novo.

É quase uma sessão de descarrego. Sorrir faz bem. Chorar também.

Don’t worry. Be happy.

20 de set. de 2010

Seja indispensável

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Que Steve Jobs e Bill Gates são dois nomes super conhecidos no mundo da tecnologia, todo mundo sabe. O primeiro lança necessidades e abre mercados com seus Ipods, IPhones e IPads. O segundo criou a Microsoft e os sistemas Windows, presentes em mais de 90% dos computadores de todo o mundo, e já esteve no topo da lista dos homens mais ricos do mundo.

Quem vê Jobs apresentando seus “brinquedinhos” inovadores, e Gates deixando a Microsoft de lado para se dedicar à filantropia, pode pensar que os dois chegaram ao topo facilmente. Mas como toda história de sucesso, tanto um quanto outro trabalhou bastante e o mais importante de tudo: acreditaram em suas ideias e ideais.

Há muitos anos, antes do computador, quem poderia imaginar que essa máquina causaria tantas mudanças em nossas vidas e facilitaria tantas coisas? Muitas pessoas sequer pensavam nisso. Não Jobs e Gates. Universitários, barbudos, meio hippies, eles viram, cada um a sua maneira, que o computador era um bom negócio. E da mesma maneira que as bandas de garagem, foi nesse cômodo propício à criatividade que nasceram os computadores da Apple, por exemplo. Foi num quarto de hotel que Gates e seus colegas instalaram a sede da Microsoft. Tampouco importavam os trajes ou a estrutura – eles tinham uma ambição.

Certa vez, disse Gates: “Faça com que as pessoas precisem de você”. Quando se alcança esse patamar, o sucesso é quase garantido. Afinal, ao criar necessidades, você faz com que as pessoas não vivam mais sem o seu produto. Essa é, certamente, uma estratégia a ser seguida não somente pelos empreendedores, aqueles que têm na empolgação por suas ideias o combustível para alcançar o sucesso, mas também pelas pessoas comuns, pelos estudantes que estão saindo da faculdade e pelos trabalhadores insatisfeitos com suas funções. Torne-se necessário e indispensável. Caso contrário, você será apenas um em meio a milhões.


Recomendo: filme “Piratas do Vale do Silício”, que narra a trajetória de Steve Jobs e Bill Gates.

15 de set. de 2010

Ser feliz ou ter razão?

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Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos. O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado. Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados. Mas ele ainda quer saber: -Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais... E ela diz: -Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!

MORAL DA HISTÓRIA:

Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não. Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais frequência:

'Quero ser feliz ou ter razão?' Outro pensamento parecido, diz o seguinte:

'Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam. '

Recebi isso por e-mail hoje e achei tão interessante, que resolvi compartilhar aqui. Afinal, em quantas discussões que não valem a pena você entra? Até que ponto vale estragar seu dia para provar que o céu é azul e a grama é verde? De que maneira essa discussão vai afetar a sua vida? Muitas vezes, é preciso fazer o velho exercício e contar até 10. Agora, junte à sua receita o exemplo da mensagem acima ao seu pensamento.

Quantas discussões bobas não acabaram em estresse, caras feias, mal humor e até tragédias no mundo? Estamos cada dia mais impacientes e intolerantes. Creio que seja importante acrescentar o equilíbrio em nossas vidas, para melhorar nossas relações e evitar aquele tipo de discussão em que o que cada um quer, na verdade, é ficar com a última palavra – que não vale ouro, nem cerveja, nem promoção no trabalho. Geralmente, essa última palavra passa a impressão de arrogância – ou de que não se sabe perder. E saber perder, no nosso mundo, é fundamental.

14 de set. de 2010

Aproveitar a vida

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Gosto de comprar. Aliás, acho difícil encontrar uma mulher que não goste de entrar em uma loja, conferir lançamentos, escolher um sapato novo ou eleger um novo vestido. Futilidade? Depende. Torrar todo o salário em sapatos, bolsas e roupas talvez possa ser considerado um ato fútil. Porém, reservar parte do rendimento para fazer um agrado a você mesma faz bem. Quando falo em agrados, não quero dizer somente roupas e afins. Há quem não ligue tanto para as tendências da moda também. Mas essa não é o assunto agora, até porque, a moda também gira em torno de usar aquilo que faz você se sentir bem. O que quero falar é sobre aproveitar a vida.

O dinheiro não traz felicidade sozinho, mas, se bem utilizado, pode proporcionar prazeres inesquecíveis. Como a delícia de aprender um novo idioma, o bem-estar de ler um bom livro, as boas lembranças de uma viagem tão sonhada e a nostalgia de ver de perto o cantor de quem você é fã. Ao lado das pessoas certas, aquelas cédulas valiosas podem proporcionar sensações que serão lembradas pelo resto da vida. Aliás, dizem os estudiosos que a chave da felicidade está nos momentos bem vividos.

E já que estamos falando nisso, preciso dizer que o que me indigna é o mão de vaca, o casquinha. Aquele que junta dinheiro debaixo do colchão – ou no banco, para usar um linguajar mais moderno – e esquece viver. Sim, é preciso guardar dinheiro, afinal, todos nós sonhamos com o carro e a casa própria e ainda por cima, como se não bastasse, a saúde de ninguém é de ferro e nunca sabemos quando vamos precisar de médicos e remédios. Porém, é preciso dosar e também saber aproveitar os melhores momentos da vida. Quando se tem saúde para passear, quando se tem memória para aprender, quando se tem pique para conhecer. Num piscar de olhos a vida passa, e quando nos damos conta, obrigações e responsabilidades já nos tomam muito tempo – assim como a idade.

Afinal, você conta moedinhas para que? Para garantir um caixão bonito? Quando o sangue não correr mais pelas veias, nem o coração bater forte, não sobrará nada. Todos nós temos o mesmo futuro. Portanto, vamos viver o presente.

13 de set. de 2010

Sobre a morte

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Certas coisas me intrigam muito e eu tenho a plena certeza de que algumas delas causarão desconforto pelo resto de minha vida. Uma delas é a morte. Já falei desse assunto em duas ocasiões no meu blog, porém, pela terceira vez, sinto vontade de escrever mais sobre isso. Talvez porque, em apenas uma semana, três pessoas conhecidas se foram – e essas três pessoas vão fazer falta para pessoas muito queridas para mim.

A morte é a única certeza que temos na vida. Você não sabe se vai acordar amanhã, não sabe se vai viajar nas próximas férias ou se vai ter dinheiro para adquirir um novo carro. Você só sabe que vai morrer um dia. Não sabe se a data está próxima, se está distante. Não conhece a causa – não tem ideia se será lenta, se será rápida. Não sabe se terá tempo de fazer tudo que queria, conhecer todas as cidades que sonha conhecer, visitar todos os lugares que sempre quis visitar. Provavelmente não, já que o ser humano nunca está plenamente satisfeito – e essa é justamente a essência da vida: ter algum propósito.

Quando alguém perto de mim se vai – não um parente ou amigo, mas pessoas próximas, como as que eu citei aqui – eu me ponho a refletir sobre o assunto. Afinal, vai chegar a hora em que as pessoas que mais amamos vão nos deixar, para sempre. E, por mais tentemos, nunca estaremos preparados.

Aqui, o ditado pode ser piegas ou “chavão”, mas é o mais verdadeiro: nunca, nunca, deixe para dizer depois às pessoas o quanto elas são importantes na sua vida. Demonstração de afeto e carinho não faz mal. Não gasta e não dói. Muito pelo contrário: desperta bons sentimentos e causa boas sensações. Adoro Natal, Ano-novo, Dia dos Pais e das Mães, aniversário e Páscoa. Mas esses dias são celebrações pontuais. Para dizer “eu te amo” e “você é importante” não é necessário hora, nem local marcado. Afinal de contas, o que importam são as pessoas, o sentimento que temos por elas e o que nos deixa unidos.

Afinal, infelizmente, não temos bola de cristal e não saberemos quando elas vão nos deixar – ou nós vamos deixá-las. Uma doença pode surgir, um acidente pode acontecer, uma fatalidade pode ocorrer. Triste? Trágico? É, porém, infelizmente, são as regras da vida – e não há nada que possamos fazer para mudar isso. Resta a nós, apenas, aproveitar a nossa vida – e as pessoas que fazem parte dela – enquanto há tempo. Pense nisso.

10 de set. de 2010

A nova mulher de 20

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A revista Época dessa semana trouxe uma reportagem especial sobre o que pensam e o que querem as mulheres na faixa dos 20 anos. Alguns fatos são bem interessantes – em certos pontos, essa mulher evoluiu; em outros, ela se parece com sua mãe ou avó.

A pesquisa indicou que a grande maioria delas adia a saída da casa dos pais e tem como prioridade a carreira e os estudos. Ora, antigamente, as mulheres casavam-se cedo e a elas sobrava o ofício de cuidar da casa e dos filhos. Quem sabe, mais tarde, com os filhos crescidos, elas procurariam algum emprego ou buscariam especializar-se através dos estudos. Quantas mulheres você conhece que seguiram esse caminho?

É bom saber disso. Afinal, é importantíssimo conquistar a independência financeira, ser dona do próprio nariz e poder adquirir suas próprias coisas. Esse novo comportamento da mulher reflete muito bem isso. Ela quer mais que a faculdade e um simples emprego. Busca a atualização constante e almeja cargos e salários melhores. Um comportamento de atitude, que mostra que essas trabalhadoras não ficam esperando uma chance cair do céu. Além disso, divertem-se, consomem, vivem.

Tudo isso, porém, é perseguido agora com um objetivo para o futuro: casar e ter filhos. A maioria das mulheres mostrada na pesquisa prefere investir bastante em suas carreiras agora para, mais tarde, após a estabilidade, poderem dedicar-se aos filhos. É o sonho da maioria delas – e o sonho que foi de muitas mães e avós.

Quase todas as mulheres sonham com o mesmo conto de fadas – casar e ter filhos . A diferença é que agora elas pensam primeiro em seu bem-estar e correm para alcançar seus planos. A ordem dos fatores se inverteu, mas no fim das contas, todo mundo quer chegar em casa e encontrar um colinho, uma pessoa para conversar, alguém com quem se pode contar. São esses pequenos detalhes que fazem a conquista das coisas tornar-se mais prazerosa.

8 de set. de 2010

Antipatia

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Há três coisas que me indignam no ser humano: mau humor, arrogância e antipatia. De duas já falei aqui e aqui. Falta falar sobre a antipatia, assunto repugnante. Na realidade, acho que o antipático é um mal-humorado crônico. Pode ser até uma missão difícil diferenciar um mal-humorado de um antipático. Os dois me causam um desconforto e uma indignação tão grandes ao ponto de eu querer me livrar o mais rápido possível da presença de tal pessoa. O arrogante também me causa semelhante sensação.

Não tem como aturar um antipático. A pessoa que não esboça um sorriso e não faz o mínimo esforço para parecer legal simplesmente não merece nosso tempo e atenção. Ela tem cara trancada – para não dizer feia –, parece que está sempre “de saco cheio” do mundo e não demonstra nenhuma emoção ao falar com você. Olha, sinceramente, esse tipo de pessoa faz eu me sentir mal.

Você tenta ser simpático, dá um sorriso, diz um bom dia e... nada. Não dá para entender. Tudo bem que a vida anda corrida, o mundo está cheio de problemas, o tempo não colabora e o dinheiro no fim do mês não é dos mais animadores. Mas, se fosse por isso, a humanidade estaria perdida. Afinal, todo mundo tem um problema. Nem assim todos os seres humanos são antipáticos.

O antipático contamina ambientes. Atendente de loja antipática? Cruzes. Perco a vontade de olhar, de comprar. Sério. Professor antipático? A matéria pode ser a mais interessante e se tornará a mais chata. Chefe antipático? Com certeza, o funcionário vai procurar um novo emprego o mais rápido possível. Vizinho antipático? Nem pensar em pedir pra ele tirar a sacola de lixo do corredor. É capaz de te comer com os olhos.

Parece que a antipatia é como doença crônica. Não interessa se faz sol lá fora ou se o time do coração ganhou. Não importa o quão prestativo você é, tampouco se você se esforça para tratar tal pessoinha bem. Nem isso faz ela abrir a cara trancada e mostrar os dentes. Não existe nenhum movimento em sua face. Parece até que a cara está cheia de botox, que impedem os movimentos. Da próxima vez, tente essa desculpa então, ok? Levar fama de antipático, definitivamente não é bom.

6 de set. de 2010

Felicidade depende de momentos e pessoas

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A ciência parece ter descoberto a chamada fórmula da felicidade. A capa da revista Galileu de setembro anuncia: não é autoajuda, é ciência. Pesquisadores afirmam que sapatos caros, o carro do ano ou o celular da moda trazem apenas felicidade instantânea, temporária. Na realidade, o que vale, de verdade, são as pessoas.

Ora, ora. Isso não é novidade, não é mesmo? Afinal de contas, de que vale uma mansão na praia ou um carro bonito, se você não tem pessoas das quais gosta ao seu lado? Com quem compartilhar os momentos de prazer, senão com os amigos, familiares e amores?

Segundo a reportagem, a relação entre pequenos prazeres do dia a dia e felicidade é três vezes maior do que entre felicidade e riqueza. Veja bem: o novo estudo não propõe votos de pobreza, mas, sim, uma melhor distribuição dos gastos do mês. De acordo com especialistas, as pessoas devem investir em algo que traga boas experiências: viagens e cursos, por exemplo.

Está explicada, assim, a culpa que muitas pessoas sentem quando compram algo de que não precisavam. É a tal felicidade – ou empolgação – instantânea. O novo apenas pelo simples prazer de ter o novo não acrescenta – ao contrário, pode ampliar aquela sensação de vazio.

Porém, eu digo mais. Se só dinheiro bastasse, os empresários de sucesso ficariam apenas gerenciando suas finanças. A poupança, por exemplo, renderia bastante para quem tem muito. O suficiente para se viver em um lugar paradisíaco pelo resto da vida.

Entretanto, o que fazem Eike Batista, Antonio Ermírio de Moraes e Abilio Diniz? Ao que eu saiba, não estão tomando um drink na beira da praia. Ao contrário, estão pensando nos próximos passos, nos próximos negócios, nas próximas oportunidades. Querem mais dinheiro? Pode ser. Porém, eu diria que eles também têm um propósito na vida: gostam do que fazem, sentem satisfação pela labuta, são felizes.

É bom pensar nisso também. Se o seu trabalho não te deixa feliz, gaste mais tempo pensando em uma saída. Afinal de contas, você passa a maior parte do seu tempo dedicando-se a ele.

Dinheiro não traz felicidade. Pode, sim, levar-nos a ter momentos com esse sentimento. Mas só ele sozinho não dá conta do recado. A vida precisa estar repleta de pessoas, aquelas com que vale a pena bater um papo e passar bons momentos. Esses, sim, ficarão na memória e, possivelmente, serão lembrados como sinônimo de felicidade.

2 de set. de 2010

Arrogância

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Detesto gente arrogante. Não que isso seja um desgosto inédito, afinal, arrogância não deve ser apreciada pela maioria das pessoas. Talvez nem os mais arrogantes suportem pessoas iguais a eles.

Isso porque o arrogante, em primeiro lugar, acha que é a última bolacha do pacote. Na realidade, acredito que todo mundo, de alguma maneira, tem algum motivo para se achar. Ou porque é bom na matemática, ou por ter boa memória ou devido ao corpo escultural. A diferença é que há aqueles que fazem questão de transparecer o “achismo”. Beleza. É legal a gente se valorizar. Cada um, cada um. Só que tem aqueles que acham que o seu dom, profissão ou habilidade lhes dá o direito de humilhar os outros. Ou achar que, por isso, são melhores que os outros.

É triste. Justamente porque a arrogância não convence, não causa admiração. Muito pelo contrário. Causa nojo, repugnação. Quando eu percebo que alguém é arrogante, evito ao máximo ter que falar com essa pessoa. Não dá. A pessoa se acha tanto, que não enxerga nada além da ponta do nariz. Complicado engolir gente assim.

Dentro de você, à medida que o arrogante mostra suas garrinhas, dá vontade de falar muitas coisas. Entretanto, essa vontade, na maioria das vezes, precisa ser reprimida, em nome do “politicamente correto”. Até porque, não dá para se indispor com certas pessoas. Dizer a verdade para um arrogante pode valer um emprego, uma oportunidade ou o bom clima na turma. Que mundo complicado, né?

Milhares de possibilidades brotam em sua cabeça. Vontade de mandar o mala pro inferno ou de dizer que ele não está com essa bola toda. Quer saber? Você não é esse gostosão. Você não sabe nada. Cante de galo em outro terreiro. Mas você conta até 10, releva, respira fundo e esquece. E mantém a classe, sempre. Dá pra não sair por baixo, sem baixar o nível... Arte que se aprende com o tempo.

Tem coisas pelas quais não vale brigar, criar rugas ou cabelos brancos. Disse um amigo meu: “Nessas situações, para e pensa: vale a pena?”. É um bom exercício. Comprar briga com gente arrogante não vale a pena. O que vale é a consciência.

1 de set. de 2010

Sobre a angústia da morte 2

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Não que a morte seja meu assunto preferido – e creio que não leva ninguém ao delírio verbal. A verdade é que talvez hoje seja um dia mais propício para escrever sobre ela do que no outro dia em que fiz isso.

Hoje meu pai me falou que um jovem em minha cidade natal faleceu. Um conhecido, que se foi de forma trágica. Da mesma maneira que aqui em Tubarão e em outras partes do mundo outras pessoas se foram. Pelo caminho que fiz hoje, passei em frente à funerária, onde muitas pessoas foram levar seus sentimentos. Dois velórios aconteciam, simultaneamente. Para fechar, assistindo meu seriado favorito, um personagem querido também partiu. Chorei como criança. Não porque eu me envolva de maneira a acreditar que aquilo é verdade. Mas, sim, por conseguir transportar-me, conseguir, de alguma maneira, sentir, por alguns momentos, aquela dor. Já dizem que a arte imita a vida e, nesse quesito, nada é ficcional.

A morte será sempre o maior mistério da vida. Aquilo para o qual, por mais que a gente tente se preparar, nunca estaremos prontos. Não importa se a morte foi lenta, no leito de uma UTI, ou se foi um susto, como uma tragédia ou infarto. Tampouco conta o fato de a pessoa em questão ter 2 ou 80 anos. O que importa é o sentimento em jogo. Se há amor, carinho e respeito, uma pessoa nunca será dispensável ou substituível. No emprego, no jogo ou no clube, pessoas não são insubstituíveis. Mas, dentro de nossos corações, elas são. Ninguém é igual a ninguém. Pessoas chegam em nossas vidas, vão embora, deixam marcas. O tempo atenua a dor, mas jamais deixa-nos esquecer daqueles que, de verdade, tocaram nosso coração. A lembrança pode ser mais escassa, a dor pode ser menos intensa. Porém, a saudade, o sentimento intraduzível, que aperta o peito e traz aquela sensação de vazio, essa sim, nunca é atenuada.

No episódio ao qual assisti hoje, uma passagem me chamou a atenção: afinal, por que nos apaixonamos e nos envolvemos com as pessoas, ao ponto de nos entregarmos e deixar que sua ida nos destrua? Não há resposta. Vivemos para isso. De que vale a vida sem sentimentos como o amor das pessoas que queremos bem: família, amigos e amores? Nada. Viver sem isso é como padecer no vácuo. Sem rumo, sem vontade, sem cor.

No fim das contas, a morte continuará sendo aquilo que sempre foi: aquela angústia e a certeza de o fim é o mesmo para todos.